sexta-feira, 25 de junho de 2010

O SISTEMA FAMILIAR

Uma das tradições islâmicas que influenciam a forma como as mulheres muçulmanas respondem às idéias feministas é a da defesa, na cultura islâmica, de um sistema familiar ampliado. Algumas famílias muçulmanas são "residencialmente extensas" - isto é, seus membros vivem comunitariamente com três ou mais gerações de parentes (avós, pais, tios, tias e suas descendências) em um único prédio ou complexo residencial. Mesmo quando esta versão residencial da família ampliada não é possível, conexões familiares tornam evidentes os fortes laços políticos, sociais e econômicos. Apoios e responsabilidades mútuos que interferem nesses grandes grupos consanguíneos não são considerados desejáveis, mas eles se tornam legalmente obrigatórios aos membros da sociedade pela lei islâmica. O próprio Alcorão exorta a solidariedade familiar e especifica a extensão dessas responsabilidades, além de conter prescrições de herança, apoio e outras interdependências dentro da família ampliada

Nossas tradições islâmicas também prescrevem uma participação mais forte da família no contrato e preservação dos casamentos. Enquanto a maior parte das feministas ocidentais condenam a participação familiar ou o casamento arranjado, como uma influência negativa por causa de sua aparente restrição à liberdade individual e à responsabilidade, como muçulmanos sustentamos que essa participação é vantajosa tanto para indivíduos como para grupos dentro da sociedade. Não apenas assegura casamentos baseados em princípios mais sólidos do que a atração física e o desejo sexual, como propicia outras salvaguardas para uma continuidade conjugal próspera.

Os membros da família proporcionam uma companhia diferente e são fontes imediatas de aconselhamento e simpatia para os recém casados. Um cônjuge não pode tomar um rumo diferente assim tão fácil, porque essa atitude encontrará forte oposição por parte do grupo. As contendas não são tão devastadoras para os laços matrimoniais, tendo em vista que os membros adultos da família agem no sentido de mediar e fornecer alternativas e conselhos para os casais. Os problemas com parentes e as incompatibilidades geracionais também são minorados, tornando desnecessários os clubes de solteiros e agências matrimoniais para a interação social. As crianças nessas famílias ampliadas não sentem a falta dos pais que trabalham, porque são cuidadas, atendidas e amadas. O lar de uma família ampliada nunca está vazio. Não existe, assim, o sentimento de culpa que o pai que trabalha muitas vezes tem numa organização familiar unicelular. A tragédia, mesmo o divórcio, não é tão debilitante tanto para adultos como para crianças, uma vez que a unidade social maior absorve as consequências com muito mais facilidade do que numa organização familiar nuclear.

A afastamento da coesão, que a família usufruía antes na sociedade ocidental, a ascenção de estilos familiares alternativos menores, acompanhado do individualismo que muitas feministas defendem, ou pelo menos praticam, são contrários aos costumes e tradições islâmicos profundamente enraizados. Se o feminismo no mundo muçulmano escolher patrocinar os modelos familiares ocidentais, isto deve ser, e certamente será, fortemente desafiado pelos grupos de mulheres muçulmanas e pela sociedade islâmica como um todo.


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